28.6.16

Entrevista com a escritora Lycia Barros

Olá leitores, hoje estou trazendo uma entrevista com a Lycia Barros que está lançando seu mais novo romance intitulado como Sem Olhar Para Trás. A entrevista foi retirado do site da Livraria Cultura (Aqui). Essa entrevista nos ajuda a entender um pouco seu processo de escrita e escolha do tema.

Agatha é uma jovem que após passar por momentos de terror com o marido, encontra forças no amor para superar todos os abusos infringidos por ele. Uma história de superação, recomeços e transformação é o que vem em Sem olhar para trás, novo livro de Lycia Barros, prestigiada autora do gênero de romances brasileiros. Em um interessante bate-papo, Lycia comenta as dificuldades e importância em trazer para o leitor um tema tão urgente e necessário quanto o da violência doméstica, sofrida por milhares de mulheres ao redor do mundo.

Como surgiu a motivação para escrever sobre um tema tão urgente quanto a violência doméstica?

A violência doméstica é um tema que, lamentavelmente, sempre margeou a nossa sociedade. Na mídia pudemos constatar recentemente vários casos de abusos. Por isso resolvi debater este tema neste meu novo romance. Espero que essa minha pequena semente plante algo de bom em nossa sociedade.

Qual a importância de se falar sobre isso?

Todos os tipos de maus-tratos ocorrem, geralmente, dentro do ambiente familiar, o que dificulta a denúncia. Fora isso, parece haver uma insensibilidade coletiva (salvo exceções) ao problema alheio. Muitas pessoas que não vivem, mas presenciam este tipo de covardia, e preferem não se envolver. Isso, ao meu ver, também os torna coniventes com o ato.

Qual reflexão você espera que os seus leitores façam com esta história?

Em primeiro lugar, ninguém tem o direito de coagir o outro por meio da força. Em segundo, ninguém, por mais que tenha errado, merece ser espancado. A violência nunca é a solução para os nossos problemas. E terceiro, muitas vezes alguém perto de nós precisa de ajuda e não sabe como pedir. Estejamos mais atentos a isso.

Quais foram as suas dificuldades ao escrever sobre o tema?


Tenho algumas lembranças de cenas de violência que vi outras pessoas passando, não no meu âmbito familiar, mas próximas a mim. Aquilo me marcou muito, e remexer nessas lembranças para formular algumas cenas não foi nada agradável.

De que maneira você acredita que esta história poderá ajudar as mulheres que sofrem esta realidade?

Este livro não fala somente sobre o problema, mas também vem trazer esperança e reflexão. E é isso que eu desejo passar para elas. Em primeiro lugar, senso de valor. Em segundo, fé e esperança para tomar as providências necessárias para sair da situação.

Qual você acha que seja o papel da literatura na construção de realidades e no impacto na autoestima das mulheres? 

Fundamental. Infelizmente, a esmagadora maioria dos romances atuais estão muito rasos, com pouca coisa para se refletir. Mulher gosta de novela, de filmes, de livros de ficção... Porém, acho nós, autores e roteiristas, podemos construir algo que as entretenha e, ao mesmo tempo, traga temas importantes do universo feminino para a reflexão. É o que sempre tento fazer em meus livros.

Qual é a mensagem e inspiração que Agatha traz para os leitores?

Recomeçar dá trabalho, mas quem não arregaça as mangas e paga o preço que for preciso para isso, está fadado a ter uma vida de tristeza, conformidade e lamentações. A vida é um presente, algo único, e devemos lutar por ela.

De que maneira este livro mudou o seu jeito de olhar sobre esta realidade no Brasil?

Não mudou. O Brasil e o mundo ainda sofrem com este problema. Conquistamos a lei Maria da Penha, mas ainda falhamos muito no amparo e proteção as vítimas de violência. Precisamos evoluir neste sentido.

Como você se identifica com Agatha?

Eu enfrento minhas batalhas, mesmo quando estou com medo de avançar. O temor não me paralisa.

Quais são as suas expectativas quanto ao lançamento?


Espero que os leitores possam encontrar no livro um bom momento de leitura e reflexão, algo diferente do que vem sendo publicado. E nem por isso menos prazeroso. Acho que consegui equilibras as cenas e emoções na medida certa. E espero que eles alcancem essa mensagem.
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Nascida em 8 de junho de 1976, Lycia Barros se afirma como uma das grandes apostas para a literatura nacional. Atualmente, a autora mora com o marido e os filhos em sua cidade natal, Rio de Janeiro. Lycia cursou Letras na UFRJ e levou o amor aos livros para sua profissão. Seu primeiro romance foi o livro “A Bandeja, qual pecado te seduz?”, lançado em outubro de 2010, que em 2013 ganhou o prêmio de melhor romance do ano no prêmio literário CODEX DE OURO. O mesmo livro também foi finalista do prêmio Areté de literatura 2011, promovido pela Asec, e está sendo adaptado para o cinema. O livro também já foi lançado em Portugal e na África. Hoje, já com 11 livros publicados por grandes casas editoriais como Novo Século, Autêntica, Seleções e Arqueiro, além de atuar como escritora, Lycia Barros também dá palestras por todo Brasil e ministra cursos de escrita para novos autores do mundo todo.
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